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A era dos caçadores de followers do Instagram está no fim (e já não era sem tempo)

A era dos caçadores de followers do  Instagram está no fim (e já não era sem 
tempo)

A dinâmica dos caçadores de followers do Instagram quase sempre é a mesma:

  1. Uma pessoa ou empresa começa a seguir um perfil no IG e interage curtindo ou comentando algumas publicações;
  2. O usuário do lado de lá, por algum motivo, decide ser recíproco e seguir de volta;
  3. Ao constatar que tem um novo seguidor, vem o unfollow. Pode ser alguns dias depois ou na hora mesmo, sem nem despistar.

Quem ainda não percebeu esse padrão de comportamento com clareza talvez só precise instalar algum aplicativo que monitore follows e unfollows.

Depois que fiz isso, notei uma frequência assustadora e pensei que seria um bom momento para tentar entender que voltas o mundo deu até que chegássemos a esse ponto.

Obsessão por métricas de vaidade no IG, o reino do desapego aparente.

Bom, para começar, tive dificuldade em assimilar muita coisa a partir do momento em que observei que, segundo a lógica do Instagram, a quantidade de seguidores de um perfil tem que ser maior do que o número de usuários seguidos para que ele conquiste "status virtual".

Aqui, abro um parênteses. Por si só, isso já contradiz o esquema do Facebook que, pelo que tudo indica, interagir e criar vínculos com fãs confere popularidade a uma fanpage.

Mas, até então, tudo bem. Cada mídia social com seu modus operandi, certo? Só achei importante ter esse parâmetro para contextualizar melhor.

Penso que, por ser jornalista e atuar social media também, talvez essa postura me deixe um pouco mais intrigada. Já que, para mim, não faz o menor sentido pessoas e empresas buscarem seu lugar ao sol por meio das mídias sociais, ao mesmo tempo em que tentam demonstrar desinteresse pelo que o seu público tem a dizer.

Afinal de contas, as mídias são sociais justamente porque pressupõem socialização, certo?

Portanto, se uma empresa quer fechar negócios, se uma marca pretende expandir sua autoridade ou uma pessoa foca em Marketing Pessoal para se firmar como referência em um setor específico, não se interessar pela sua audiência é um tiro no pé por inúmeros motivos. 

O esquema - eu te sigo - você me segue de volta - deixo de te seguir - não é uma boa ideia

Comecemos pelo básico. Vamos supor que você é um profissional ou tem uma empresa e o seu trabalho envolve vender produtos e/ou serviços. É preciso conhecer o seu público profundamente: suas características, suas dores, seus desejos, seus obstáculos.

E se alguém te segue de volta no Instagram, em resposta a uma iniciativa sua (sempre bom lembrar essa parte), quer dizer que está interessado no que você tem a dizer e pode ser um cliente em potencial.

Então, como assim, você não dá a menor bola para uma pessoa que se identificou com a mensagem transmitida, com a sua proposta, com o seu negócio ou com o seu produto? Por que cargas d’água você acha uma boa ideia deixar de segui-la no exato momento em que conquistou a sua atenção? Não faz sentido.

E digo isso do ponto de vista corporativo mesmo. Quero frisar o imenso potencial de conexão que mídias sociais como o IG oferecem e que é jogado fora quando uma empresa ou profissional declara o seu desinteresse por quem está do outro lado da tela do celular.

Porque sim, ao deixar de seguir alguém que reservou uns minutinhos para saber mais sobre você, o seu negócio ou os seus serviços, que estava disposta a interagir por ter se identificado de alguma forma com a sua proposta, você está claramente passando a mensagem de que não se importa com quem ela é em sua essência.

E essa postura pode funcionar muito bem em joguinhos de conquista, geralmente baseados na máxima “mostre indiferença para se dar bem” (apesar de, pessoalmente, discordar dessa teoria em todos os âmbitos). Mas, no universo dos negócios, não cai nada bem.

Isso porque a dinâmica mudou completamente de algum tempo para cá. As pessoas estão cada vez mais conscientes do poder que têm em suas mãos.

Elas querem conhecer a cadeia produtiva da roupa que compram, saber se essa ou aquela empresa trata seus colaboradores com dignidade e o mais importante: estão dispostas a criar laços com quem as representa, desde que o interesse e o comprometimento sejam recíprocos.

Conexões verdadeiras importam (e muito)

Então, alguém se arrisca a dizer por que a era dos caçadores de followers está chegando ao fim? Porque conexões verdadeiras importam!

E quem não estiver disposto a se relacionar com (mas veja só que surpresa) pessoas não vai conseguir criá-las. Ou seja, esse esquema - te sigo no Instagram - você me segue de volta - deixo de te seguir - ficou manjado, além de ser inapropriado e, porque não dizer, desleal. 

Longe de mim afirmar que profissionais e empresas têm que se envolver diretamente com todos os seus seguidores. Até porque, em muitos casos, isso é inviável.

Mas se você, ou quem faz a gestão das suas mídias sociais, se deu ao trabalho de clicar no botãozinho do follow, pelo amor de todos os orixás, não desperdice a interação humana criada com quem escolheu que é hora de se conectar a você.       

É época de compartilhar, de criar laços sólidos, de ver, ouvir e perceber o outro em sua essência. Números não são tão importantes.

A era dos caçadores de followers está chegando ao fim e já não era sem tempo. 

COMUNIDADE EFEITO ORNA
Luana Lima
Luana Lima Seguir

Sou jornalista, guardo em mim enorme apreço pela escrita e pela fotografia, levo na bagagem mais de quinze anos de atuação em áreas diversas da Comunicação e tenho o hábito de observar pormenores. Entre uma coisa e outra, aprecio silêncios.

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